O Tal
É já madrugada. Depois de um dia inteiro no estúdio, em filmagens, vai para casa. O carro está estacionado no fundo da rua, ainda tem de andar uns 500 metros. As luzes dos candeeiros deixam ver uma rua adormecida, sozinha. "Parece-se comigo", pensa a rapariga. Ao lado do seu Wolkswagen Golf preto está um Peugeot 206 cinza metálico estacionado com um rapaz sentado no lugar do condutor. Tem os olhos fixos no volante e quando repara no vulto da rapariga, olha para ela. Olha-a nos olhos e sorri-lhe. Ela fica surpresa e retribui-lhe o sorriso. Ele pisca-lhe o olho e convida-a para entrar no carro. Ela aceita e entra.
- Como te chamas?
- Ah, e que fazes por aqui?
Começam aos beijos. Tocam-se e olham-se. Alguém liga para o telemóvel da rapariga e ela tem de atender. Ele beija-a no pescoço e ela treme, enquanto fala com a colega pelo telemóvel.
- Dentro de meia hora estou à porta da tua casa, a sério Sílvia, dou-te um toque quando chegar, ok? Até já!
Ela desliga e recomeça a beijar o rapaz. Tocam-se e olham-se. Ele está maravilhado e ela assustada. Ele tem uns olhos escuros e honestos. Ela sabe que nunca mais o vai ver e sabe também que é o Homem da sua vida.
Mudam-se para o banco de trás e despem-se. Alguém passa na rua, mas aquele momento é só deles e não se importam.
Fazem amor e ficam completamente apaixonados um pelo outro. O telemóvel volta a tocar. Já passou mais de meia hora e a Sílvia liga de novo. Desta vez quem atende é o rapaz.
- Olá! Quem é? Sílvia? E quem és tu, Sílvia? Ok, muitos beijinhos Sílvia.. Vou passar-lhe o telemóvel.
Passam uns minutos e vestem-se. Dão um beijo e despedem-se. Olham nos olhos um do outro. Ela sabe que ele é O Tal. Ele sabe disso. Ele sorri-lhe e pisca-lhe o olho. Ela sai do carro e vai buscar a Sílvia. Não se voltam a encontrar.
